Revisão Quase Terminada

29 setembro 2007

O processo de revisão dos contos pelos autores está quase terminado. Falta, à data, enviar apenas dois, e receber, dos enviados, algumas revisões finais.

A paginação final consistirá:

  • na ordenação dos contos - que apresentarei em seu devido tempo, pois a par desta decisão encontra-se uma outra dúvida, de ficarem melhor numa arrumação por subsecções temáticas, ou apresentados todos de corrida; ambas as formas têm vantagens e desvantagens
  • na inclusão do prefário introdutor - basicamente um resumo do que foi o projecto, quais as intenções, como se enquadra na FC de língua portuguesa, uma apresentação sumária dos contos, e algumas considerações gerais;
  • e na escolha final de um título - esta também ainda por concretizar, havendo no passado uma proposta avançada pelo Jorge, que então me pareceu interessante, mas que agora, nesta fase do processo, penso que não será tão adequada quanto outras alternativas; de novo informarei quando concretizar.

Faltando ainda a confirmação final dos organizadores, a intenção é de lançar o livro no Fórum Fantástico. Se possivel (e isto agora também dependerá da empresa de print-on-demand, dos tempos de entrega, qualidade, etc), ter alguns exemplares à disposição previamente.

Entretanto, fica aqui a notícia, avançada pelo Roberto de Sousa Causo na sua coluna no Terra Magazine, de que a antologia Ficção de Polpa se encontra à procura de originais para os números 2 (dedicado à Ficção Científica) e 3 (dedicado ao Fantástico). Data limite: 31 de Outubro. E podem ler mais informações aqui (desçam ao fundo da página).

Deu-se Início à Revisão de Contos pelos Autores

11 setembro 2007

Deu-se início ao envio dos contos no formato aproximado do final (queria evitar a noção de «provas» porque o mundo do print-on-demand é mesmo assim mais volátil que o do bulk-printing, pois há sempre a possibilidade de imprimir um ou dois livros à experiência antes de se assumir uma versão definitiva) para os autores, para que revejam, efectuem as correcções e comentários que considerem necessários e devolvam, de preferência no prazo indicado no email (para antologia@tecnofantasia.com).

O que pretendemos nesta fase é as vossas indicações sobre:


  • formatos propositados do texto, nomeadamente itálicos e negritos, separação de capítulos ou cenas, indentações, ou outros de igual natureza. A forma inicial de envio escolhida por alguns autores foi por ficheiros de texto ou PDF's, cuja transposição para o formato de impressão pode ter causado algumas perdas;
  • palavras incorrectas ou construções gramaticais erradas, o normal de qualquer revisão textual;
  • substituições de texto de última hora que, na vossa opinião de autor, sejam indispensáveis (mas por favor minimizem as mesmas).

(Esta revisão é particularmente importante no caso dos textos de autores brasileiros, nos quais, dada a diferença gramatical e lexical do português europeu e as particularidades do linguajar de alguns contos, foram minimizadas escrupulosamente as correcções.)


Os contos serão enviados em formato PDF. As correcções poderão ser feitas:


  • de preferência no corpo do próprio ficheiro, mediante uma funcionalidade de inclusão de «notas» ou «anotações», que depois deverá ser devolvido na íntegra (a edição de PDF's e a inclusão de notas é apenas permitido pelo Adobe Acrobat ou então por um programa freeware descarregável na internet [pesquisem no Google por «Free PDF editor»]; infelizmente não é possível fazê-lo com o Reader);
  • para quem isto não for viável, pode alternativamente enviar a lista de correcções no próprio corpo do email de resposta, indicando a página e o parágrafo em que se encontra o texto no PDF enviado.

Passo a passo, aproximamo-nos (finalmente!) da linha de partida.

Importante: na resposta incluam uma curta biografia vossa (máximo 10 frases), por favor. É possível que alguns mails tenham seguido, por esquecimento, sem esta indicação.

Paginação

28 agosto 2007

Finalizada a revisão (textual, literária) dos contos, encontramo-nos em processo de paginação e montagem da primeira maqueta do livro, que será enviada aos respectivos autores para revisão final.

Podemos entretanto adiantar que o prazo previsto para disponibilização da versão final em formato livro é coincidente com a realização do Fórum Fantástico de Portugal - Novembro.

Relatório de Progresso

11 março 2007

Após uma breve pausa na sequência de trabalhos para efectuar uma última tentativa junto de um editor que assegurasse uma publicação comercial normal da antologia - algo que daria mais condições de visibilidade e (admita-se) respeitabilidade a todo o trabalho efectuado -, e visto que mais uma vez a resposta, embora ainda não conclusiva, tenderá para a recusa (por alguma razão, a ideia da antologia tem tido fraca aceitação por parte de quem a poderia suportar de forma sustentada), o desenvolvimento de trabalhos vai ser retomado e prosseguirá da forma como tinha sido anunciada: publicação em regime print-on-demand, com a possibilidade de aquisição pela internet.

A organização final da antologia será composta dos contos anunciados em Novembro de 2005, com excepção de «Hinos a um Ser Superior», de David Soares e «Isle of Man» de Luís Filipe Silva.

Os compromissos acordados anteriormente com os autores irão obviamente manter-se nesta nova fase. Com os leitores, é de finalmente poderem ter acesso ao que se anda a prometer há dois anos.

Nesse sentido, o processo de revisão dos contos será retomado e de composição final do livro, e contamos disponibilizar a antologia para impressão no formato final (o termo "publicação" em print-on-demand não parece muito exacto...) em inícios deste verão (do ponto de vista do Hemisfério Norte, entenda-se...)

Abandono

Meus amigos, devo anunciar-lhes que a partir deste momento abandono, na prática, este projecto.

Manter-me-ei disponível para desenvolver trabalho nele se e apenas se me for solicitado e se me conseguirem convencer de que se trata de trabalho real e produtivo, o que aviso desde já que, dados os antecedentes, não será coisa fácil. Para além disso, nada. Não tomarei nenhuma iniciativa, não escreverei neste blogue nem responderei a perguntas sobre o projecto, aqui ou por qualquer outra via, não voltarei a empenhar a minha palavra em contactos com autores ou com outras pessoas interessadas. Tudo isso, a partir deste momento, será única e exclusivamente com o Luís Filipe Silva.

Não interessa entrar nas razões. Quem precisa mesmo de as conhecer conhece-as bem. A vocês, asseguro que há várias, e todas muito boas, e que é com enorme pena que tomo esta atitude por não ter outra atitude possível a tomar. Digo apenas que se dependesse de mim, o livro já estava à venda neste momento.

Jorge Candeias

Votos festivos

24 dezembro 2006

Dado que é pouco provável que isto mexa muito até que 2007 rebente por aí, desejamo-vos boas festas do solstício e que no ano que vem tudo aconteça.

Como já não falta muito até lá, até breve.

E pronto

06 dezembro 2006

Já está. Todos os autores foram contactados, já responderam e não há nenhuma desistência, o que significa que todos concordaram com a edição nos moldes que lhes foram propostos, 15 contos estão confirmados, faltando apenas o 16º devido a um detalhe de que vos daremos conta quando essa situação estiver definida, o que talvez ainda demore cerca de um mês. Aconteça o que acontecer com esse 16º conto, o projecto avança de uma forma muito semelhante à que tinha de início, o que para nós é uma óptima notícia.

Passo seguinte: revisão. Provavelmente a mais aborrecida de todas as tarefas inerentes a um projecto deste tipo...

Confirmações e problemas informáticos

03 dezembro 2006

Mais um post para dar conta de mais um pequeno avanço e de problemas técnicos.

O avanço é a chegada da confirmação de mais um conto, subindo o total dos confirmados para 14 e baixando os ainda por confirmar para apenas 2. Estamos a tentar contactar os autores destes dois contos (um português e um brasileiro, já agora) e manter-vos-emos informados.

Os problemas técnicos prendem-se com o email em ficcao.online.pt, que está cada vez mais incerto. Poderão sempre usar o de tecnofantasia.com, mas peço que enviem também o que houver a enviar para o endereço jorge.candeias, do gmail.

Até breve.

Rapidíssima

26 novembro 2006

Uma rapidíssima para anunciar que estão, de momento, confirmados 13 dos contos, faltando, portanto, 3. Vamos dar mais alguns dias, depois voltaremos a contactar os autores em falta, esperaremos mais alguns dias, e depois começaremos a trabalhar a sério, com os contos que tivermos confirmados na altura.

22 novembro 2006

Confirmações et al

Já temos confirmados 11 dos 16 contos, faltando, portanto, apenas 5. Se algum destes autores, por algum motivo, não recebeu o email que enviámos mas soube das novidades aqui pelo Antoloblogue, pedimos que, por favor, entre em contacto connosco.

Entretanto, também já temos designer para a capa.

A coisa avança.

Novidades? É desta!

21 novembro 2006

Finalmente temos novidades para todos.

Reunimo-nos, eu e o Luís, durante o Fórum Fantástico, e chegámos a um consenso: não vale a pena continuar a procurar uma editora para esta antologia, e o melhor é fazer uma edição independente, nossa.

A partir daqui é só questão de começar a trabalhar. Os autores foram já contactados e aguardamos uma resposta deles para ficarmos a conhecer a composição final da antologia e tudo o que isso implica. Os detalhes mais pequenos, mas talvez mais fundamentais, das burocracias, estão já a ser tratados. Já acordámos num título. E também já começámos a puxar por outros cordelinhos.

Não temos ainda, naturalmente, uma data para pôr o livro cá fora, mas tudo o que há a fazer é coisa para demorar alguns meses.

E quanto a antologias futuras? Pois bem: se esta edição não nos der prejuízo, vamos de certeza avançar para uma segunda, portanto aqueles de vocês que pretendem participar podem ir já começando a planear os vossos contos (e a escrevê-los, claro). Afinal de contas, o pior que pode acontecer é exercitarem os vossos músculos da escrita e ficarem mais preparados para uma próxima oportunidade.

Novidades? Ainda não

04 novembro 2006

Caros amigos, antes de mais obrigado pela paciência.

O título deste post é verdadeiro: ainda não temos novidades para vos dar quanto ao resultado final deste projecto. Mas podemos prometer que haverá novidades dentro de cerca de quinze dias. É que tenciono aproveitar a ida a Lisboa para o Fórum Fantástico para ter uma longa conversa com o Luís acerca das portas que temos abertas e das que temos fechadas e das possibilidades de concretização, ou não, da antologia.

Depois do Fórum Fantástico, isto é, por volta dos dias 21-22, e algumas horas depois de informar os autores directamente, dar-vos-emos conta aqui do que decidirmos, quer quanto a este projecto em concreto, quer quanto a eventuais projectos futuros. São só mais quinze dias. Até lá.

Sobre Iniciativas Paralelas

04 junho 2006

O editor de Best New Paranormal Romance encontra-se a blogar sobre a experiência. Muitas das decisões são comuns à elaboração de qualquer antologia.

Pescadinha de rabo na boca

23 maio 2006

Antes de mais, começo por esclarecer os brasileiros para o caso de não conhecerem o prato. Pescadinha de rabo na boca é um prato que julgo ser português, e que consta de pequenas pescadas fritas enroladas por forma a morderem o próprio rabo, normalmente duas ou três por dose, acompanhadas com arroz e/ou outras coisas.

Este prato levou ao surgimento de uma expressão idiomática. Algo é uma pescadinha de rabo na boca quando as suas consequências levam à sua génese.

Pois bem: estamos metidos numa pescadinha de rabo na boca.

É que ao contrário do que possa parecer, e apesar de, de facto, não nos ter sido possível trabalhar com tanta intensidade como seria desejável, não temos estado parados. Temos feito contactos com editoras, uns exploratórios, outros mais formais, e o resultado tem sido desencorajador.

É que todas elas têm planos de edição mais ou menos fechados que se estendem por longos meses e não se têm mostrado abertas a acolher o nosso livro a tempo de ser publicado este ano (quando mostram alguma abertura à ideia - geralmente torcem o nariz). Por outro lado, um projecto desta natureza, que depende como este depende daquilo que é submetido e do ritmo de submissão, não pode ser programado com grande antecedência, pelo menos não rigidamente. E assim entramos num ciclo vicioso. Numa pescadinha de rabo na boca.

Ou seja: enganei-me redondamente quando disse que achava que não iríamos ter dificuldades de maior em pôr o livro cá fora.

Acho que neste momento temos garantido que não iremos conseguir publicá-lo por nenhuma das editoras maiores, aquelas que lhe garantiriam a divulgação e distribuição que pensamos que ele merece. Restam-nos outras hipóteses, no entanto. Ainda não desistimos. E não queremos desistir.

Entrevista na blogosfera

28 novembro 2005

... a uma das autoras que farão parte do nosso livro. Aqui.

Publicar a lista dos trabalhos rejeitados?

21 novembro 2005

O Octávio Aragão sugere nos comentários que publiquemos uma lista com os trabalhos que não aceitámos na antologia. Devo dizer que compreendo a curiosidade, também gostaria de ver essa lista publicada. Mas não o vou fazer: a divulgação dos contos não aceites nunca fez parte das regras, e pode haver autores que não fiquem muito contentes por ver os seus trabalhos assim expostos, o que é uma posição inteiramente respeitável.

Por isso, a resposta que eu dou ao Octávio é a seguinte: estamos dispostos a divulgar uma lista com os títulos de todos os trabalhos não aceites, cujos autores nos manifestem a sua concordância com essa divulgação. Por mim, posso divulgar já os meus. Quem o quiser fazer também poderá manifestar essa vontade nos comentários (ou via email) e este post será alterado em conformidade.

Wolmyr Alcantara
- Dejà vu
- O oceano é um só
- Reunião de família

Octávio Aragão
- A Carne do Império
- As Mãos Vermelhas de Isolda

Jorge Candeias
- Aniversário
- Em busca das cabeças perdidas

"Europa"
- O Oásis

Alexandre Heredia
- O Toque Invisível

Carlos Orsi Martinho
- Campo Total

Carlos Patati
- A Estação das Brumas

Gerson Lodi-Ribeiro
- As Praias Vazias de Jokerman

Ana Cristina Rodrigues
- A Morte do Temerário
- O Templo do Amor

João M. S. Silva
- A Mansão
- M. R. O.
- O Templo

Sobre os trabalhos não aceites

Quem de 71 tira 16, fica com 55. Este bocadinho de informação básica e lapalissiana pode, apesar disso, servir de ponto de partida para muita coisa.

Atirado assim o número, e sabendo-se o seu significado, fica expressa a única coisa que esses 55 trabalhos têm em comum: o facto de não terem sido aceites por nós para figurar neste projecto. Tudo o resto é diferente. Há uma novela e há contos de 300 palavras, há ficção científica, fantasia, horror e também contos onde não encontrámos nem ficção científica, nem fantasia, nem horror, nem nenhum outro dos ramos do género fantástico e há contos que não nos pareceram de todo publicáveis e outros que só recusámos com muita pena.

Apesar do que ficou dito acima, da variedade, e também daquilo que não nos chegou às mãos, emergem alguns padrões, alguns grupos, tendências ou ausências.

Começando pelo fim: as ausências.

Não recebemos nenhuma FC hard moderna. Embora alguns contos, invariavelmente provenientes do Brasil, tentassem um ambiente hard, todos pecavam por uma muito grande falta de actualidade científica e em nenhum se vislumbravam as mais recentes tendências e descobertas da ciência. Mas se os brasileiros ainda tentaram, os portugueses nem isso. De Portugal não nos chegou um único conto que pretendesse ser FC hard, o que não deixa de ser curioso.

Por outro lado, os contos de FC que, de um lado e de outro do Atlântico, mais eficientemente e mais actualizadamente integraram a ciência e a tecnologia na história mostraram uma abordagem soft ao género, por paradoxal que pareça. Isto é, pode-se dizer que recebemos material moderno que se poderia publicar numa revista como a Asimov's, mas não numa Analog.

Este foi, aliás, um dos motivos mais frequentes de rejeição. Não adianta escrever em 2005 a mesma ficção científica que Asimov e os seus contemporâneos escreviam em 1955 ou 1965, mesmo que o cinema e a televisão estejam hoje a adaptar e reciclar essas velhas histórias. A literatura está muitíssimo mais actualizada. Notámos demasiados escritores a cair nessa armadilha, tantos que este foi um dos grandes padrões a emergir das submissões. E não aceitámos nenhuma destas histórias.

Comparativamente, recebemos muito pouco material das componentes não-FC do género fantástico, com excepção do terror. Entre fantasia, fantástico, surrealismo e história alternativa, recebemos apenas 20 contos, mais quatro que os de terror, menos onze que os de FC (o resto são contos que não achámos enquadráveis no género fantástico). A fantasia, em particular, primou pela ausência, em especial aquela fantasia que mais sucesso tem feito nos últimos tempos. Por um lado foi bom, pois não nos interessaria a n-ésima remastigação do Senhor dos Anéis ou de Dungeons and Dragons, mas não é impossível escrever boas históirias originais no género e essas gostaríamos de ler e provavelmente publicar. Não foi desta.

Também muito escasso foi o fantástico propriamente dito. Já contávamos com essa escassez, dado que a pouca divulgação que o projecto teve aconteceu principalmente entre as pessoas ligadas à FC, fantasia e terror e os escritores que escrevem fantástico (e maravilhoso) se movem tradicionalmente em círculos mais próximos do mainstream. Talvez tenhamos mais material desse em próximas edições, se tudo correr bem.

No que ficou escrito acima, já falei da principal tendência que se nota no material submetido em geral e que muito contribuiu para uma boa parte das rejeições: uma certa "antiguidade", um certo grau de obsolescência. Falei da FC, mas isto não se resume à ficção científica: também em muitos contos de terror notámos essa característica, como se os escritores tivessem receio de assumir uma voz própria e procurassem em vez disso imitar os seus ídolos. O problema é que Poe e outros grandes escritores de terror escreveram há 50-100 anos ou mais e é bom que os seus seguidores modernos não se deixem prender em demasia pelo que eles fizeram.

Tanto mais que até nos pareceu ver talento em várias destas histórias mais "antigas". Talento que poderia e deveria ser melhor aproveitado, em histórias mais sofisticadas, mais libertas de amarras, e por isso mesmo mais fortes.

Em todo o caso, o nível geral das submissões supreendeu-nos pela positiva. Poderia ser editado um livro bastante interessante com os melhores trabalhos que recusámos, mesmo se para isso tivessemos de incluir aqueles que não achámos adequados à nossa proposta, apesar das suas qualidades intrínsecas. Estou a lembrar-me, por exemplo, de uma óptima noveleta que acabou por ficar de fora por ser muito extensa e muito semelhante a uma outra noveleta que achámos um pouco melhor. Ou vários contos que foram recusados por haver outros contos dos mesmos autores que tiveram a nossa preferência. Ou contos que gostámos de ler mas onde não vimos elemento fantástico suficiente.

Tenho a certeza (e a esperança) de que acabaremos por ver vários destes contos em livro, de uma forma ou de outra. E julgo que cerca de metade de todos os trabalhos que recusámos são trabalhos que fariam boa figura em publicações amadoras, em fanzines ou na web. Por isso também os autores que ficaram de fora estão de parabéns. Esta antologia também será vossa. Obrigado.

O que vem a seguir

14 novembro 2005

Nas caixas de comentários vão-se declarando curiosidades sobre uma série de coisas. Dar-vos-emos respostas a tudo durante os próximos dias, numa série de posts com algum desenvolvimento, que estamos a preparar. Este é o primeiro e fala sobre aquilo que, no nosso entender, é o mais importante: o futuro próximo.

Quando contactámos editores, sondando-os sobre a possibilidade de publicação deste projecto nas suas casas, a resposta que recebemos foi sempre a mesma: "façam a antologia e depois mostrem-na". Portanto, foi isso que fizemos. O fundamental foi, claro, escolher os contos, mas o trabalho não acaba aí e é o resto, o que falta, que nos irá ocupar nos próximos tempos.

Isto significa uma série de tarefas: organizar os contos na sequência mais adequada para potenciar o prazer da leitura, escrever uma introdução ou um prefácio e, talvez, escrever pequenas introduções a cada conto. Há aqui coisas que ainda não decidimos (se vale a pena escrever já as introduções individuais para os contos, ou até se vale a pena fazê-las) mas o nosso trabalho prossegue. Há minutos, por exemplo, tomámos a decisão de escrever só uma introdução geral, a meias, em vez de deixar que cada um dos dois organizadores escrevesse a sua.

Entre organizar os contos e escrever a introdução é provável que se gaste uma ou duas semanas (a desvantagem de escrever a meias é que o texto tem de andar para trás e para a frente uma série de vezes até ficar pronto), ou mais se decidirmos introduzir (já) conto a conto. De seguida, mas o mais depressa possível, enviaremos o produto final aos editores. E então voltamos todos à fase de roer as unhas.

Pessoalmente, estou convencido de que qualquer bom editor, assim que ler a nossa proposta, quererá publicá-la. Estou convencido de que não teremos grandes problemas em pôr cá fora este volume. Mas nunca se sabe. A partir de um certo ponto é o editor que tem a última palavra. Foi em boa medida por causa desta incógnita que dissemos nas regras que o projecto poderia ter de ser cancelado em qualquer altura.

A promessa é que iremos fazer os possíveis para que isso não aconteça.

Os organizadores enquanto autores

É sempre um pouco delicada a situação dos organizadores de uma antologia quando são também escritores e, portanto, interessados em ter trabalhos seus no produto final. É algo que abre espaço a críticas, umas vezes legítimas, outras nem tanto. Mas é algo muito comum: excepto quando a antologia se refere aos vencedores de um determinado prémio, ou quando procura reunir os melhores trabalhos de um certo período de tempo, os organizadores costumam incluir-se, seja cá nos países de língua portuguesa, seja lá fora. Bruce Sterling incluiu dois trabalhos seus, escritos em colaboração com outros autores, na antologia cyberpunk original, a Mirrorshades, Asimov metia quase sempre contos seus nas antologias que organizava, em Portugal António de Macedo foi presença assídua nas antologias da Simetria e o mesmo aconteceu à família Moreira quando tomou as rédeas do projecto, José Manuel Morais incluiu um conto seu n'O Atlântico tem Duas Margens, Octávio Aragão publicou trabalho seu na antologia Intempol, Gerson Lodi-Ribeiro fez o mesmo com as antologias editadas pela Ano-Luz, e muitos mais exemplos poderiam ser dados.

O organizador/autor tem algumas vantagens relativamente aos restantes autores: a mais importante é que sabe qual vai sendo o nível dos contos que vão chegando, e portanto sabe (se tiver sentido de auto-crítica) se os seus trabalhos estão no nível certo ou precisam de ser melhorados. É que não faz bem nenhum a coisa nenhuma (nem à carreira do organizador/autor, nem à antologia, nem à credibilidade do projecto) quando um organizador inclui numa antologia um conto que se destaca pela negativa. Mas também tem desvantagens, pelo menos quando faz as coisas como nós fizemos: se um organizador tem um conto pronto e aceitável e de repente alguém submete uma história muito semelhante, lá se vai o conto do organizador a caminho de outra edição qualquer porque deixa de ser viável incluí-lo na antologia. Com razão ou sem ela, seria demasiado fácil que surgissem acusações de plágio e seria muito difícil sacudi-las.

Nós decidimos que no fundamental os contos dos organizadores iriam competir com os outros em pé de igualdade, com o critério principal a ser a qualidade (e o secundário mais importante o equilíbrio da antologia), mas também fizemos um acordo tácito: quem avaliou o meu trabalho foi o Luís, quem avaliou o do Luís fui eu, e não estivemos com paninhos quentes. Como resultado, eu tive dois contos rejeitados e ao Luís aconteceu precisamente que um dos contos que nos chegou (por acaso é um dos aceites, mas até poderia não ter sido) era demasiado parecido com um dele, que acabou, por isso, por ficar de fora. E pensamos que aqueles que escolhemos não só se enquadram perfeitamente no global do volume como que este perderia sem eles.

Mas aqui o juiz último é o leitor. Ele dará a sua opinião quando ler as histórias, e é essa a opinião que, tudo somado, mais conta.

E já está

Pronto. Esta etapa chegou ao fim. Já temos os contos seleccionados, os autores informados e a antologia composta. Sem mais delongas, os contos que escolhemos para fazer parte da antologia são (por ordem alfabética):

- A Irmandade - Carlos Patati
- Assassinos de Sobreiros - João Ventura
- Digital Eden - Gabriel Boz
- Disse a Profetisa - Carlos Orsi Martinho
- Fome de Pássaro - Ivo Robert
- Hinos a um ser Superior - David Soares [anulado - vide este post]
- Isle of Man - Luís Filipe Silva [anulado - vide este post]
- Littleton - Jorge Candeias
- O Deus das Gaivotas - António e Jorge Candeias
- O nevoeiro que desvendou realidades - Sofia Vilarigues
- O Pico de Hubert - Telmo Marçal
- Oberon - Wolmyr Alcantara
- Para tudo se acabar na quarta-feira - Octávio Aragão
- Ponte Frágil sobre o Nada - Maria Helena Bandeira
- Resíduos Sólidos Urbanos - João Ventura
- Xochiquetzal em Cuzco - Carla Cristina Pereira

Os nossos parabéns a todos. São 16 excelentes contos.